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O que o Día de La Hispanidad significa para os países latinos?

O que o Día de La Hispanidad significa para os países latinos?

Quando o Día de La Hispanidad se aproxima, uma série de reflexões surgem relacionadas ao 12 de outubro, dia de descobrimento da América por Cristóvão Colombo, em 1492. Na Espanha, a data celebrada todos os anos, é uma das festas espanholas mais populares. Porém, será que a data é realmente vista como motivo de celebração pelos demais países hispanohablantes?

O que o Día de La Hispanidad significa fora do país europeu? Não havia nada para ser "descoberto". O que aconteceu foi um processo violento de colonização e extermínio dos povos indígenas que habitavam a América. O apagamento da cultura nativa por meio da narrativa eurocêntrica, propositalmente deixa de fora a história desses lugares. 

"Parece haver um consenso entre os professores nos últimos anos de que a chegada de Colombo representou um 'assalto' não só contra a riqueza do país, mas também contra seus costumes e a cultura", comenta a jornalista colombiana Sally Palomino ao El País. Como em diferentes países da América Latina, a Colômbia mudou o nome da data para Día de La Raza, onde o mais importante é exaltar e respeitar a cultura indígena. "Nas escolas já não se enfatiza a conquista, porque no centro do discurso está a exaltação das raízes culturais. Os alunos fazem representações em que narram a vida dos povos e seus costumes", explica. 

Em Madri, na Espanha, a data é celebrada nas ruas todos os anos, reunindo milhares de pessoas. Apesar de ser conhecida como uma das festas tradicionais espanholas, o Día de La Hispanidad nunca deixará de trazer reflexões à tona. Como Andrés Pérez Perruca, diretor do Ateneu Ibero-Americano, explica à BBC Mundo, até recentemente, o espanhol médio não buscava conhecimento sobre os países latino-americanos.

Para o especialista em cultura latina, o mais importante é reconhecer o que aproxima as culturas, em vez de distanciá-las. "A linguagem, os projetos comuns e olhar para frente. A verdade é que há muitas pessoas e organizações na Espanha interessadas no que está acontecendo na América Latina, em seus problemas e em suas propostas", diz.

 

Quer entender como os países da América enxergam o Día de La Hispanidad? Saiba mais a seguir: 

 

  • Argentina

 

Desde 2010, o dia 12 de outubro foi batizado oficialmente de Día del Respeto a la Diversidad Cultural. A mudança veio para potencializar o resgate histórico e criar um diálogo intercultural sobre os povos originários. Ainda no especial do El País, o jornalista Federico Rivas escreve: "A efeméride atualmente serve para recuperar a memória pré-colombiana, enquanto os detalhes históricos da conquista foram deixados de lado. Em vez de desenharem as caravelas de Colombo, as crianças argentinas agora pintam a wiphala, bandeira multicolorida que representa a diversidade cultural."

 

  • Bolívia 

 

Em vez de Día de La Hispanidad, os bolivianos podem chamar 12 de outubro de Día de La Descolonización. A mudança aconteceu em 2011 após decreto do ex-presidente Evo Morales. Na época, explicou que "a descolonização é o processo pelo qual os povos, que foram privados de autogoverno pela invasão estrangeira, recuperam a sua autodeterminação". 

 

  • Chile 

 

No Chile, o feriado é chamado de Día del Descubrimiento de Dos Mundos desde 2000. Para os chilenos, o evento é visto como uma celebração entre a relação dos dois mundos – Europa e América. Para alguns, é o Dia do Descobrimento da América, para outras pessoas, é o Dia da Resistência Indígena, mas também pode ser chamado de Dia da Raça. Algo conhecido por todos é que ninguém chama de Día de La Hispanidad ou Dia de Colombo. 

 

México 

 

A década de 1980 trouxe o debate sobre qual seria a maneira correta de contar a história do dia 12 de outubro no México. Qual narrativa é mais apropriada? O Día de La Hispanidad ou Encuentro Entre Mundos? Os historiadores mexicanos tiveram mais afinidade com a segunda proposta. Na Cidade do México, há um monumento dedicado ao Día de La Raza, onde as pessoas deixam flores para homenagear o passado. O governo mexicano explica que "o ponto importante da celebração é o acontecimento de escala mundial. A primeira vez em que os habitantes do continente europeu entraram em contato com os habitantes americanos. Uma fusão entre culturas e o nascimento da civilização hispanoamericana". 

 

  • Venezuela

 

No dia 12 de outubro de 2002, Hugo Chávez decretou que a data seria celebrada como o Día de La Resistencia Indígena. Desta forma, o evento "reconhece a auto afirmação americana pela unidade e diversidade cultural e humana". No país, eles não reconhecem o momento como "descobrimento" ou "encontro". 

 

  • Equador 

 

No Equador, o Dia de La Hispanidad é um sinal de resistência. A data já foi chamada de Día de La Raza, mas hoje segue como Día de La Interculturalidad y Plurinacionalidad. No decreto equatoriano, a função da mudança de nome tem a ver com "compreender e visibilizar o processo de colonização vivido pelos povos indígenas da América há mais de 500 anos". 

 

  • Estados Unidos 

 

Apesar de não ter o espanhol como idioma oficial, os EUA adotam o "Columbus Day" como feriado. Entretanto, Cristóvão Colombo é visto hoje como uma figura problemática na história dos Estados Unidos. Atualmente, o debate no país propõe a mudança do nome para Indigenous People's Day. "Durante séculos, a destruição e doenças que ele trouxe para a América foram deixadas de lado, para consolidar o mito do pioneiro que descobriu a América e provou que o mundo era redondo. Mas esse mito vem sendo confrontado com fatos históricos brutais e as coisas começaram a mudar", anuncia a reportagem especial da Vox Media

 


 

Por que é importante educar as próximas gerações? Para que a história do Dia de La Hispanidad seja contada da forma correta, seja na Espanha ou na América. Afinal, o passado colonial permanece presente nas sociedades no mundo todo. Na academia, se discute o que os europeus trouxeram para as américas: cristianismo e o espanhol. Dessa forma, uniram diferentes identidades por meio de uma língua e religião. Na década de 1980, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do livro "Veias Abertas da América Latina" (1971), escreveu um artigo sobre o Dia de La Hispanidad com o título "não há nada para comemorar". "Em 1492, os nativos descobriram que eram índios, que viviam na América, que estavam nus, que o pecado existia, que deviam obediência a um rei e uma rainha de outro mundo, e para um deus de outro céu". Por trás de um idioma, existe uma série de considerações históricas que devem ser levadas em conta. A língua espanhola é muito rica, então a sua cultura também é plural e diversa. Aprender mais sobre a história da colonização significa tornar um futuro mais consciente e atualizado com a realidade histórica. As trocas e conexões entre culturas devem ser celebradas, mas o passado não deve ser esquecido. 

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